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Ascensão chinesa

[quote]O paradoxo da ascensão chinesa

09/05/12 – 10:45 | POR Vista Chinesa | Por José Carlos Martins, do Rio de Janeiro

Na história econômica da Idade Contemporânea, a partir do século 18 até os dias atuais, nada mais singular do que a posição dominante que vem sendo atingida pela China.

Neste período de 300 anos, várias nações localizadas principalmente na porção norte ocidental do hemisfério assumiram posição destacada no cenário econômico mundial, como Reino Unido, Alemanha, França, Estados Unidos e a extinta União Soviética, além do Japão, no Oriente. Esses países disputaram por diversos meios, inclusive ideológicos e militares, a hegemonia umas sobre as outras e também sobre as outras nações não participantes desse processo.

Embora sempre ameaçadas economicamente e às vezes militarmente pelas outras potências, apenas Reino Unido e Estados Unidos foram as nações que realmente exerceram esse poder hegemônico de forma incontestável por longos períodos de tempo. Essas duas nações foram, cada uma em seu tempo, líderes  em termos do tamanho de sua economia, de sua corrente de comércio e de seu poder financeiro, medido pela capacidade de acumular reservas e de transformar suas moedas em referência e reserva de valor para todas as outras nações.

Além desses fatores, essas duas nações caracterizaram sua hegemonia também em termos de padrão de vida e de organização social e de projeção dessa hegemonia e dominância por meio do poder das armas.

Ao observarmos a China atual, é evidente a posição dominante que essa nação vem atingindo em vários dos quesitos acima mencionados. O tamanho de sua economia, medido pelo seu poder de compra, indica que a China já é a maior economia do mundo, considerando que um dólar pode comprar mais bens e serviços na China do que nos Estados Unidos.

A liderança da China em termos de comércio mundial (importações mais exportações) também é inconteste. É apenas uma questão de tempo para que a moeda chinesa, o yuan, seja conversível, e o mercado financeiro chinês, liberalizado de forma a permitir que essa moeda, assim como a libra esterlina durante o período hegemônico britânico e o dólar durante o período hegemônico americano, venha a exercer um papel mais importante no cenário econômico mundial, acompanhando a pujança de sua própria economia.

O governo chinês vem adotando uma série de medidas financeiras para aumentar a conversibilidade de sua moeda e assim expandir sua influência na economia mundial. Tamanho da economia, tamanho do comércio mundial e a penetração da moeda são os principais alicerces da hegemonia e dominância econômica, e a China está em vias de consolidar esses alicerces talvez em menos de uma década. A capacidade da economia chinesa para mostrar sua eficiência e sua primazia passará no seu maior teste quando da liberalização total de seus mercados financeiros. Mas esse é o preço a pagar caso a China queira realmente exercer sua liderança global. As medidas que vêm sendo adotadas pelo governo chinês nessa direção indicam que eles compreendem a importância desse passo e já fizeram a sua escolha.

Olhando puramente pelo ângulo das tendências e do potencial de expansão da economia chinesa e considerando a sua grande população e todas as políticas que seus governantes vêm adotando, a eventual hegemonia econômica da China é muito menos uma questão de “se”, e sim de “quando”.

Nada é irreversível, e nenhuma nação está condenada ao sucesso inexorável. A China não é uma exceção a essa regra. Mas todo o desenvolvimento dos últimos anos, a massa crítica atingida pela economia chinesa e a distância dessa economia em relação à sua fronteira de crescimento já atingida pelos Estados Unidos e demais nações industrializadas do Ocidente nos permitem prever com grande possibilidade de acerto que, mais cedo do que se imagina, a China irá atingir uma posição hegemônica e dominante no cenário mundial. O pragmatismo e o compromisso com o resultado dos governantes chineses são outros pontos favoráveis a esse desenvolvimento.

Qual é, então, o paradoxo chinês?

Na realidade, são vários os paradoxos e neles residem as grandes ameaças à consecução dessa posição hegemônica. O primeiro paradoxo foi a rapidez da ascendência chinesa, surpreendente para os próprios chineses, que talvez preferissem passar despercebidos por mais tempo. Essa visibilidade atingida antes do tempo é motivo de entraves à projeção dessa hegemonia, começando pela desconfiança dos vizinhos e dos antigos parceiros comerciais.

Hoje, muito se fala sobre uma potência prematura ou precoce. A China estaria atingindo uma posição hegemônica muito antes de desenvolver outras características intrínsecas das potências semelhantes, como Reino Unido, no passado, e os Estados Unidos, atualmente.

Uma dessas características, e o segundo paradoxo, é o poderio militar. Embora a China venha aumentando seus gastos militares e desenvolvendo cada vez mais tecnologias, a China ainda está muito distante de deter um poderio compatível com seu poderio econômico ou capaz de fazer frente ao poderio militar americano e de outras nações do Ocidente.

A China do passado aprendeu amargamente o que significa tecnologia, capacitação industrial e poderio militar quando uma nação de mais 300 milhões de habitantes se viu derrotada em seu próprio território por uma nação de apenas 20 milhões de habitantes guerreando a 20 mil km de distância de sua base. Não é sem razão que as quatro modernizações pensadas por Zhou Enlai e reforçadas por Deng Xiaoping eram agricultura, indústria, ciência e tecnologia e defesa, sendo a defesa o corolário das três primeiras modernizações.

As iniciativas americanas de criar uma zona de contenção na própria Ásia para limitar a expansão do poderio chinês é uma demonstração clara da desconfiança gerada pelo crescimento chinês. O maior parceiro comercial da China e até pouco tempo um aliado natural do processo de desenvolvimento econômico desse país parece estar mudando sensivelmente sua política em relação à potência emergente.

O terceiro paradoxo diz respeito ao nível de vida medido pela renda per capita. A China deverá atingir uma posição hegemônica muito antes de os chineses deterem um padrão de vida equivalente àquele atingido pelos britânicos e pelos americanos, cada um a seu tempo. É possível que a hegemonia econômica da China seja atingida num momento em que sua população possua menos da metade da renda per capita atingida pelos americanos.

Em termos de organização social, o paradoxo é ainda maior, uma vez que a maior nação economicamente falando do mundo é ainda administrada por um partido único cuja legitimidade se baseia apenas no resultado que consegue apresentar. Embora a China moderna tenha sido construída sobre os princípios do mercado, a matriz ideológica desse partido é absolutamente conflitante com a economia que ele próprio administra. Todos os países que exerceram poder hegemônico no mundo desfrutaram de tranquilidade internamente. Poder hegemônico usado interna e externamente tende a não ser duradouro ou sustentável, como o exemplo soviético parece indicar.

A eliminação desse paradoxo político talvez seja o maior entrave para que a China possa atingir a posição hegemônica que sua pujança econômica parece justificar. Muito mais do que apenas o resultado de um poderio econômico ou um conjunto de características que levam uma nação a uma posição dominante, hegemonia é um poder a ser exercido. É, além de uma substância econômica e militar, um ato de vontade política. Não obstante todos seus predicados, não está efetivamente claro que a China esteja preparada para exercer essa hegemonia mundialmente enquanto a modernização do seu sistema político, ou a quinta modernização, não avançar.

Na China de hoje, nada mais atual do que o velho adágio shakespeariano “Ser ou não ser, eis a questão”.

José Carlos Martins, economista, é diretor de Ferrosos e Estratégia da Vale.

Fonte: http://goo.gl/hoJiR[/quote]

 

[box type=”shadow”]O título desse artigo sugere que há um paradoxo na ascensão da China como principal potência mundial. Redija um texto dissertativo argumentativo em prosa cuja temática discuta o motivo pelo qual há paradoxo na questão discutida no artigo. Você deve lançar mão de argumentos pautados no texto-fonte e em seu conhecimento de mundo e deve desenvolver um texto consistente com o atual panorama mundial de ascensão da China como potência hegemônica.[/box]

 

A redação não tem limites de linha, porém, os vestibulares no geral fornecem ao candidato uma folha pautada contendo de 30 a 40 linhas. Tente não passar desse limite. Leve em conta o tamanho da sua letra de mão na hora de escrever seu texto no computador.

 

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