No livro “A hora da estrela” de Clarice Lispector, a personagem Macabéa vive o drama de uma mulher nordestina que sofre com o machismo e preconceito de uma sociedade que reprime o sexo feminino. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Clarice pode ser relacionada à sociedade do século XXI: patriarcal e machista. Nesse contexto, a romantização de uma relação abusiva e a culpabilização da vítima são interpretações recorrentes da sociedade sobre quem está inserido em um relacionamento abusivo.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que a romantização de uma relação abusiva é comum e normalizada pela cultura literária. A obra “Lolita”, trata sobre uma relação de abuso trajada por amor. Como é narrada pelo parceiro da relação, ele romantiza o relato e passa a ideia de que não deve-se negar nada a um homem apaixonado e isso constrói um pensamento inadequado de que tudo que é feito por amor, é justificável. Assim, normatizar o abuso ao ponto de torná-lo aceito, fará com que a vítima não consiga distinguir a relação abusiva de uma idealização de amor.
Outrossim, existe uma vertente de culpabilização da vítima em relacionamentos abusivos um tanto quanto sutil e velada, mas que tem o poder de gerar consequências tão negativas quanto as tradicionais formas de transferência de culpa. No filme Esquadrão Suicida, Coringa é abusivo com sua namorada das formas mais maníacas possíveis. Inclusive, pelo fato dela ter sérios desvios de caráter, faz com que muitas pessoas encarem o fato dela sofrer tanto nas mãos do parceiro como “natural”, afinal ela merece por tudo o que faz. Analogamente, esse é o reflexo da sociedade contemporânea, a vítima além de passar por toda a dor de estar em processo de recuperação de tudo que lhe aconteceu, tem que adicionar mais uma parcela de culpa que a sociedade joga sobre ela. Portanto, é necessário mudanças urgentes e eficazes nas bases ideológicas da sociedade.
Logo, a fim de que ocorra modificações na sociedade, cabe ao Ministério da Educação romper definitivamente esse padrão de superioridade de gênero, por meio de palestras educacionais com uso de linguagem clara, para que discursos ultrapassados e machistas não sejam reproduzidos. Somente assim, será possível combater o machismo prevalente na sociedade e a construção de uma nova cultura igualitária.
Anagela
Oi tudo bem?
Gostei bastante do seu texto, principalmente porque soube citar referências de livros e filmes e associa-los de maneira clara e objetiva ao tema proposto. Senti falta de mais exemplos de relacionamentos abusivos tanto no namoro como em um casamento, violência física não somente verbal e na conclusão mais propostas de intervenção para essa questão, mas no geral, seu texto esta muito bom.
Sara Suzany
Oi Anna tudo bem? Seu texto está muito bom, você precisa se atentar com a gramática de algumas palavras e expressões como “culpabilização”. Você trouxe um bom repertório de referências mas eu acho que se você tivesse feito a analogia com dados estatísticos o texto teria um grau de confiabilidade bem mais alto. Sobre a proposta de intervenção é bom você procurar outras opções além do clássico de conscientização, pesquisa no Google mesmo o papel de cada ministério e vê se você consegue implementar uma ação de outro, tipo, você poderia ter sugerido o reforço e ampliação de leis de proteção a mulher ou o papel da mídia nesse processo de conscientização. Espero que tenha ajudado ;)