Caminhos para se combater o racismo no Brasil. Essa foi a proposta da prova do Enem aplicada no dia 04/12/2016. Muitos podem dizer que este tema foi muito parecido com o da primeira prova: Caminhos para se combater a intolerância religiosa no Brasil, porém falar sobre racismo no Brasil e como combatê-lo exigiu que o candidato elaborasse uma reflexão sobre o modo como a nossa sociedade ainda lida com o tema, muitas vezes silenciando o racismo que existe nas relações sociais. Ou seja, era necessário admitir que há racismo no Brasil e mostrar ao longo da argumentação estratégias para combater esse problema em nosso país.

Os textos motivadores se mostraram ferramentas relevantes para ajudar o candidato a elaborar, de forma articulada ao seu conhecimento de mundo, argumentos que apresentem: (i) a existência de um racismo ainda intrínseco em nossa sociedade devido, principalmente, a uma herança do período da escravidão e (ii) ações afirmativas e medidas para resolver este problema social.

Para falar do racismo a partir de uma perspectiva histórica, o candidato poderia apresentar uma reflexão sobre o texto I da coletânea, o qual traz brevemente, informações sobre a não integração do negro à sociedade após a abolição da escravidão no Brasil, o que gerou uma desigualdade social que perdura até os dias de hoje. Seria essa a herança histórica da escravidão apresentada no texto IV da coletânea.

Os textos II e III são relevantes para esta proposta porque mostram ao candidato que já existem leis para combater atos discriminatórios e ofensivos contra pessoas de diferentes raças, etnias, religião e origem. Desse modo, na proposta de intervenção, deve-se falar sobre uma punição mais efetiva às pessoas que comentem esse tipo de crime e não dizer que o Brasil precisa criar leis para isso, pois, como vimos, elas já existem.

Além de pedir que punições sejam mais severas para esse tipo de crime, o candidato poderia levar em conta as ações afirmativas apresentadas no texto IV da coletânea para combater o racismo. Observamos, porém, que no excerto há apenas a definição do que são as ações afirmativas e o seu papel social no combate à discriminação racial e desigualdade social por diferença de cor. Era preciso, portanto, que na argumentação e na construção da proposta de intervenção, o candidato apresentasse algumas dessas ações. Uma delas seria a política de cotas para negros nas Universidades Públicas e concurso público, como medida para combater a desigualdade, por exemplo. Outra possibilidade de ação afirmativa seria um incentivo maior, por parte do governo, à arte e à cultura negra, promovendo-as nas escolas, por exemplo.

Bem, esse foi um breve comentário sobre a proposta do Enem (Parte II). Vimos que ela parecia simples, porém era necessário que o candidato explorasse o seu conhecimento de mundo e os textos da coletânea no sentido de mostrar que o racismo não é apenas um problema que será resolvido com a lei, mas sim que é um problema cultural, intrínseco em nossa sociedade, e que teremos muitos anos de luta, muitas ações afirmativas a serem elaboradas, para que todos comecem a se respeitar, independente da cor de pele ou origem.

 

Equipe EscreverOnline