No filme “Coach Carter”, Ken Carter é o treinador da equipe de basquete de uma escola, cujos jogadores não eram alunos dedicados. Diante disso, Ken trancou as portas do ginásio e afirmou que eles só iriam treinar de novo quando melhorassem seu desempenho escolar. Essa atitude gerou disciplina e colaboração, com os alunos atingindo o objetivo de melhorar notas. Saindo da ficção, é notável como o esporte atrai a atenção dos jovens e aumenta as perspectivas, mas apesar disso, é pouco incentivado no Brasil. Acerca dessa temática, cabe analisar as causas que impedem o uso do esporte como instrumento para desenvolver cidadania.
É importante, de início, ressaltar que as iniciativas públicas – de formação cidadã pelo esporte – existentes no Brasil são desconhecidas pela maioria das pessoas. Isso acontece porque os representantes do Poder Executivo, em suas diversas frentes, só tocam nesse tema nas campanhas eleitorais. Isso reflete o pensamento do jornalista Gilberto Dimenstein, que em sua obra Cidadania de Papel, afirma que no Brasil os direitos existem no papel, mas não na prática. Dessa forma, é necessário que os políticos assumam a responsabilidade que lhes é encubida, tornando as iniciativas esportivas projetos de conhecimento geral.
Ademais, é preciso compreender que os campeonatos – instrumentos para engajamento de pessoas no esporte – são de difícil participação. Tal fato ocorre devido ao valor dos custos de inscrição de candidatos em campeonatos oficiais, além do valor que seria gasto em transporte e hospedagem, pois os mais relevantes restringem-se às capitais. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre a sua função de estimular o aprimoramento nos esportes.
Nota-se, portanto, que o esporte deve ser estimulado como instrumento para desenvolver cidadania. Para isso, é imprescindível que as Secretarias Municipais de Esportes implementem – por meio de verbas governamentais – campeonatos com diversas modalidades de esportes, seguindo o padrão das olimpíadas, nos quais os atletas com um bom desempenho podem receber bolsas de auxílio para crescer no esporte. Tudo isso, a fim de melhorar as perspectivas dos jovens que vivem à margem da sociedade. Dessa forma, os ensinamentos do Coach Carter sairão da ficção para a realidade, reverberando, no longo prazo, no desenvolvimento cidadão da Sociedade brasileira.
ALINEFERSI
Olá, Eduardo! Sua redação, no geral, está muito boa. Entretanto, há algumas falhas relacionadas à estrutura, precipuamente.
Vamos lembrar como funciona:
1. O primeiro parágrafo é dedicado à introdução, em que ocorre a apresentação do tema e DAS TESES.
2. O segundo parágrafo é o de desenvolvimento, em que será abordada a sua primeira tese.
3. O terceiro parágrafo também é de desenvolvimento, mas com abordagem da segunda tese proposta por você.
4. O quarto parágrafo é o de conclusão, em que haverá a exposição da sua proposta de intervenção (contendo os 5 elementos primordiais: agente, ação, finalidade, modo/meio e detalhamento).
1. Recomendo que aborde sempre duas teses, para que em cada parágrafo de
desenvolvimento você discorra sobre uma. Além disso, tente escrever de acordo com a norma culta da Língua Portuguesa e abusar mais dos conectivos.
2. Sugiro que inicie os seus parágrafos de desenvolvimento com algum conectivo interparágrafo (nesse contexto, diante desse cenário, nessa perspectiva etc). Ademais, você poderia ter colocado o pensamento do jornalista Gilberto Dimenstein logo no início e, assim, ter dado continuidade com as analogias.
3. Observei o mesmo erro: citação no final do parágrafo. Evite.
4. Sua conclusão está excelente, principalmente a retomada do que foi dito no início. Há apenas um erro ortográfico, mas que logo pode ser corrigido: no longo prazo (o correto é “em longo prazo”).
Agradeco!