O poder paralelo

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A questão do crime organizado no Brasil é complexa. Em um país extremamente desigual, no qual milhões vivem na miséria, a criminalidade acaba como única opção para muitos que estão desassistidos pelo poder público.

Observando a cronologia do crime na história brasileira, as primeiras organizações criminosas surgiram advindas do jogo do bicho. Como era considerada uma contravenção, ou seja, um crime de menor potencial ofensivo a prática tinha punição branda e alta rentabilidade. Os malandros tornaram-se bicheiros, loteando áreas e lavando o dinheiro da prática ilegal.

A leniência do Estado brasileiro, seja por incompetência ou conveniência, permitiu aos bicheiros estruturarem a operação e expandirem seus negócios, até incorporarem o tráfico de drogas na gama de atuação. Os entorpecentes inauguraram uma nova era na criminalidade, com a explosão da violência. Como podemos constatar no dados, mas também na brutalidade das ações.

Os narcóticos, principalmente a cocaína transformaram o tráfico numa verdadeira indústria, com uma rígida hierarquia, contando com amplo esquema de transporte e contabilidade. “A logística da economia da droga exigiu mudanças estruturais”, diz a antropóloga e professora da Universidade Cândido de Abreu (Ucam), Jacqueline Muniz.

Quando o estado reagiu, o poder paralelo já estava constituído e repeliu de forma vigorosa a repressão estatal. Como resultado dessa política, vimos o país mergulhar no caos, com níveis alarmantes de homicídios -553 mil assassinados na última década, segundo o Atlas da violência (2018) – e confinamento em massa nos presídios – 770 mil presos, segundo o Infopen (2020).

Podemos concluir que o modelo atual de guerra as drogas mostra-se um fracasso. O governo deve buscar uma nova abordagem com o endosso da população. Necessitamos que o estado reassuma o controle e acabe com o monopólio do tráfico. Talvez a solução mais palpável seja a famigerada legalização.

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1 Correção

  1. A argumentação da sua redação é boa. Gosto como você consegue articular diferentes questões em torno do problema (o tráfico) a partir de diferentes estruturas institucionais.
    Tome cuidado com o uso do “travessão”, e com termos, digamos, exageradamente coloquiais, como “malandro”, “biqueiro”. Se queres utilizar, coloque aspas. Ah, sim, o Estado, enquanto ordenamento jurídico-constitucional, é escrito em maiúsculo.
    Acho que, no final, você poderia aprofundar as possíveis soluções para resolver o problema, algo que, me parece, ter sido superficialmente tratado.

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