Iniciante

“Diga-me quem cancelas e te direi quem tu és”

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Eleita em 2019 como o “termo do ano” pelo Dicionário Australiano MacQuaire, a “cultura do cancelamento” fundamenta-se na prática de isolar e condenar indivíduos em virtude de suas ações ou discursos considerados intolerantes por um determinado grupo. Oriunda de causa nobre – denúncias de assédio e abuso sexual em Hollywood-, a manifestação virtual passou de ferramenta de debate e desconstrução social a um mecanismo de boicote ‘on-line’. Sob esse viés, percebe-se a consolidação de um cenário desafiador, seja em virtude do temperamento punitivo e vigilante desse fenômeno, seja pela formação de um modelo de identificação para a autoafirmação dos usuários.

Em uma primeira análise, a significativa acessibilidade à informação e a possibilidade de reação frente a qualquer conteúdo nas redes sociais são primordiais para a formação do caráter desse movimento. Tais aspectos, tão como as trocas sociais ocorrentes no espaço cibernético, transformam as plataformas em ambientes de busca por justiça por meio da vigilância aos internautas. É importante mencionar que a ‘web’ tornou-se palco para a luta contra a violência e as injustiças na atualidade, porém, o movimento em massa contínuo gera uma superficialidade, além de criar uma projeção de que é possível simplesmente deletar alguém da vida real. “É muito mais fácil digitar e cancelar na Internet do que fazer uma denúncia e investigar”, diz o brasileiro Yuri Busin, mestre e doutor em Neurociência Cognitiva.

Outrossim, o boicote virtual no país também é evidenciado pelo efeito manada proporcionado pelas redes. Conforme cita o sociólogo francês Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar, e sob essa lógica, é possível perceber que a cultura do cancelamento é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que adotar esse comportamento aparece como uma condição para se auto afirmar. Isto é, muitas vezes, o discurso é mais sobre ‘ser visto cancelando’ do que necessariamente o efeito que aquilo pode gerar.

Logo, é mister afirmar que não é possível “cancelar o cancelamento”, pois o mesmo está intrínseco ao ser humano e ao seu senso crítico.  No entanto, ações são necessárias para conscientizar os internautas sobre os malefícios desse fenômeno. Para que isso ocorra, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolva “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Além disso, a criação de políticas de conscientização sobre o tema nos meios midiáticos podem ser grandes armas contra os discursos de ódio nas ‘web’, seja promovendo o senso empático, seja proporcionando o diálogo como a única forma de resolver ou amenizar impasses.

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2 Correções

  1. Também fiquei um pouco receosa pelo tamanho da introdução KKKK não consegui reduzir muito. Mas muito obrigada pela correção. Só por curiosidade, que nota você me daria? KKKK é a segunda redação que eu fiz esse ano e eu tô ainda sem jeito pra escrever. Mas enfim, muitíssimo obrigada ❤️

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  2. Oi Ellen, tudo bem ?
    Adorei seu tema kkk mais atual que isso não há.
    O único erro que achei é a introdução muito extensa, mas fora isso concordo com seu desenvolvimento, seu viés e em partes na sua conclusão. Ótimo trabalho!

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