Democratização do Acesso ao Cinema (ENEM 2019)

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Desigualdade em tela para a realidade

Na obra “Cinema Paradiso”, do diretor Giuseppe Tornatore, é retratado o cotidiano do protagonista Totó, menino pobre que nutre uma intensa ligação com o cinema, utilizando-se da sétima arte como uma fuga de sua melancólica realidade. Analogamente, muitos brasileiros vivem na mesma existência dolorosa do garoto, com um desfalque; sem ter um acesso democrático ao cinema. Esse cenário antagônico é oriundo tanto da concentração de salas de cinema nos centros urbanos, quanto da elitização dessa arte. Destarte, é indispensável a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento cultural da sociedade.

Em primeira análise, mostra-se evidente que o aglomeramento urbano propiciou a exclusão social de regiões menos favorecidas, tendo em vista o acesso limitado a cultura e entretenimento nesses locais, devido ao pouco investimento sociocultural. A consequência dessa problemática é mostrada em números, segundo pesquisas do IBGE, somente 10% das cidades brasileiros têm salas de cinema.  Desse modo, faz-se necessário a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é importante ressaltar o quanto a acessibilidade aos filmes em cartaz se tornou elitizado, colocando-se em consideração os preços exorbitantes de ingressos, quando colocado na realidade de famílias que possuem renda mensal inferior a um salário mínimo por pessoa. Perpetuando ainda mais a resolução desse empecilho, já que apenas uma minoria da população possui o privilégio de se deleitar com essa arte sem ter que se preocupar com futuras dificuldades financeiras.

Desse modo, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço desse conjunto de problemas. Assim, com o intuito de mitigar a exclusão social no acesso ao cinema, necessita-se, urgentemente que o Ministério da Cultura e a Agência Nacional do Cinema (Ancine), criem projetos de acesso à sétima arte nas regiões periféricas e rurais, com cinemas móveis, assim como a diminuição dos valores dos ingressos, por intermédio de reuniões entre o governo brasileiro e as redes de distribuição de filmes no país. A fim de que a democratização do acesso ao cinema seja alcançada, para que todos tenham a oportunidade de sentir a mesma ligação que o jovem Totó sentia quando assistia aos filmes em tela.

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1 Correção

  1. Cuidado com a colocação de alguns termos que possam dar uma ideia generalizadora, ou no caso, restritiva.
    “quando colocado na realidade de famílias que possuem renda mensal inferior a um salário mínimo por pessoa.” – dá a ideia que só é um preço exorbitante se a família tiver renda inferior a um salário mínimo. Pode custar pontos.
    A forma de apresentação também conta, não diretamente, mas de certa forma sim. Acredite, uma boa separação das linhas pode ajudar.
    Dá uma atenção pra pontuação e para os conectivos.
    Fora isso, texto muito bom, bem desenvolvido e com um bom repertório. Proposta de intervenção completa, também ajuda.
    Daria uma nota em torno de 860.

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