Aumento do trabalho informal e seus impactos na sociedade brasileira

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    Bouazizi foi um jovem tunisiano, formado em engenharia, que recorreu ao trabalho de vendedor devido à falta de emprego. Revoltado com a indiferença do governo do seu país frente às dificuldades da população, ele comete suicídio em um ato desesperado que se tornou o estopim da Primavera Árabe. Já na realidade brasileira, devido às crises financeiras e o consequente aumento do desemprego, o trabalho informal tem crescido no país, afetando negativamente a economia e o bem-estar dos brasileiros.

    Em primeiro lugar, quando uma nação está enfrentando dificuldades econômicas, a principal medida tomada por empresas, para cortar gastos, é a demissão de funcionários, provocando, assim, o desemprego conjuntural, que, por sua vez, leva à procura de trabalhos informais. Sob tal perspectiva, segundo registrado pelo IBGE, entre novembro de 2019 e janeiro de 2020, o Brasil possui quase 12 milhões de desempregados e cerca de 38 milhões de trabalhadores informais. No entanto, como atividades desse tipo não geram impostos para o governo da mesma forma que as formais, a situação financeira do país dificilmente sairá da crise. Logo, a instabilidade econômica é mantida nesse ciclo, e é perceptível que a demissão em massa é um agravante.

    Em segundo lugar, nesse cenário, os desempregados têm como alternativas os serviços autônomos ou atividades precárias, pouco remuneradas e exploratórias. Nesse contexto, o cidadão que trabalha por conta própria encontra-se sem acesso  a direitos trabalhistas, como: férias remuneradas e auxílio-doença. Ademais, muitos empregadores oferecem ocupações nas quais o funcionário não recebe o justo por sua atividade e é explorado ao ser submetido a serviços extenuantes e tratamentos desumanos. Dessa forma, uma vez que há um “exército industrial de reserva” que gera medo do desemprego, o poder dos patrões sobre os empregados aumenta, permitindo que estes exijam o que bem entenderem daqueles.

    Portanto, medidas precisam ser tomadas. A fim de combater o trabalho informal urge que o Ministério do Trabalho incentive as empresas a  manterem seus funcionários em momentos de crise, por meio de concessões financeiras a essas intituições, as quais ajudarão a restabelecer a economia do país mediante suas atividades. Também, é necessário que esse Ministério crie um aplicativo de denuncias contra explorações trabalhistas, no qual a vítima não precise identificar-se apenas provar tais ações. Só assim, atitudes desesperadas de trabalhadores informais, como a de Bouazizi, serão evitadas.

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2 Correções

  1. Sua redação está muito boa. Encontrei pouquíssimos erros de pontuação e o uso de conectivos é muito bem feito.
    Gostei da sua argumentação, só senti falta de mais algum conhecimento que confirme eles, algum argumento de autoridade, por exemplo.
    Sua conclusão é muito boa, proposta de intervenção extremamente viável. Acho que cumpre bem os requisitos de quem, o quê como.
    Facilmente alcançaria uma nota acima de 800, quem sabe, até na casa dos 900.
    Meu único adendo está em buscar mais repertório que confirme seus ótimos argumentos e um início melhor na conclusão.

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  2. Achei o tema muito interessante, gostei dos seus argumentos e como você desenvolveu os mesmos, sua conclusão está ótima porém eu tiraria o “medidas precisam ser tomadas” e deixaria apenas o “portando, a fim de combater o trabalho informal…” acho que ficaria mais interessante, também tome cuidado com as vírgulas e no mais a sua redacão está impecável!

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