Olá, vestibulando

Continuando a falar sobre as leituras cobradas no vestibular 2018, hoje escolhemos uma obra que aparece na lista da FUVEST, a coletânea de poemas Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade.

 

User Typing Using Typewriter_000000_50Tradicionalmente, obras de Drummond figuram entre as principais leituras para o vestibular, portanto vale sempre ler mais sobre este autor brasileiro, tão importante e conceituado. Leia um pouco sobre a vida dele, no interior de Minas Gerais, sobre sua versatilidade como escritor, cronista, poeta, entre outros, além de conhecer suas diferentes fases, desde a literatura inicial, mais modernista e irônica, passando pela fase social e engajada, até sua fase final, mais reflexiva e até mesmo pessimista.

 

Question_000000_50Com relação à obra em questão, ela é datada de 1951, período pós-guerra e de muitas transformações. Logo, o sentimento de dúvida, a angústia do homem perante as mudanças e às dores do mundo, o pessimismo relacionado a isso e até mesmo a perplexidade ao (não) vislumbrar o futuro são traços recorrentes nos 42 poemas que compõem esta bela e complexa obra.

 

ideaNote, vestibulando, que o paradoxo desses textos já são anunciados pelo título, afinal, como um enigma pode ser claro? O jogo de luz e sombra, certezas e incertezas, faz-se presente em todas as seis partes do livro, sem responder efetivamente aos questionamentos colocados. Trata-se de uma obra fusionista e reflexiva, não de respostas aos anseios humanos, papel este destinado ao leitor e tentativa recorrente do poeta.

Esse conflito eu x mundo, permeado de dualidade, lembra características maniqueístas barrocas, não é mesmo? E não é mera coincidência que se visualize esse “retorno”, pois ele também acontece na estrutura dos poemas, bem diferentes dos poemas irônicos e cheios de humor da obra inicial de Drummond, Alguma Poesia, de 1930. Agora, o verso livre cede espaço, muitas vezes, ao soneto clássico, com suas formas fixas e enrijecidas. Retorno, crítica ou inovação? Talvez tudo isso esteja junto nessa obra drummondiana, já que também há poemas com versos livres, além de diversas temáticas serem abordadas.

 

Link_000000_50Outra questão importante quando se trata dessa obra é a intertextualidade. Muitos nomes de autores são citados, desde Fernando Pessoa, Camões, além de modernistas brasileiros como Mário Quintana e Manuel Bandeira, o que precisa ser analisado e compreendido pelo aluno para que se compreenda essa referência. Drummond, inclusive, faz citação dele próprio em um de seus poemas, “Legado”, falando sobre “uma pedra que havia no meio do caminho”, em clara referência a “no meio do caminho”, poema do livro Alguma Poesia.

Sobre os ecos modernistas, além dos versos livres há também a insistência da metapoesia. Muitos são os poemas que retratam a função do poeta, da linguagem e da própria poesia. Soma-se a isso as referências oníricas, inclusive buscando na mitologia algum suporte, o que pode ser considerado influência surrealista.

Além de todas essas características, vale ficar atento à sexta parte da obra, vestibulando, pois nela está contido um dos poemas mais conceituados de Drummond, “A máquina do mundo”, que dialoga com a Divina Comédia, de Dante Alighieri. Nele, o enigma é retomado, e a máquina mostra-se uma metáfora de consciência e transcendência.

 

E então, vestibulando, vamos iniciar essa leitura?

 

Bons estudos e até a próxima!

Profª Aline